segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

3 corações... e são meus! :)



Ana. 37 anos. Há dez meses em casa. Mãe há quatro. Duas meninas. 30 de Julho - o dia mais feliz da minha vida...
A felicidade não é sempre o que esperamos e a vida nem sempre nos proporciona o que queremos. 30 de Julho - o dia mais feliz da minha vida... e o mais assustador! Sempre pensei que 'dar à luz' (como se houvesse interruptor para gerar vidas!) incluísse, passado uns minutos ou umas horas, ter os nossos rebentos deitados sobre o peito para lhes saborear o primeiro sopro de vida (é assim que os filmes nos ensinam e as amigas nos relatam!). Mas a nossa história iniciou-se de forma diferente. Foi tudo tão repentino que quando vos arrancaram de mim, só vos pude ver de relance, 'sem tempo de manteiga nos dentes' e a única coisa que saboreei foram as lágrimas que me escorriam pelo rosto desde o momento em que a médica me informou que teria de deixar de vos sentir dentro de mim... demasiado cedo! Mas hoje, AGORA, olho-vos enternecida, adormecidas ao som frívolo da baby tv (como se vocês entendessem o que a bonecada ecoa!). Qualquer cor ou movimento vos arranca sorrisos, minhas filhas! :)
Nos vos tive ao mesmo tempo junto a mim, não vos mimei desde o primeiro momento como queria ter mimado... mas hoje tenho o colo cheio! Tenho o coração imenso! E a cada dia que a vida nos dá, mais me rio do passado por nunca me ter ensinado que o amor... É ISTO! É sentir-vos respirar (e, na penumbra da noite do nosso quarto, encostar o ouvido ao berço - e tocar-vos levemente - para me certificar que está tudo bem!), é ver-vos crescer e descobrir todos os momentos novos traços que vos marcarão o rosto, novas expressões, novos brilhos (e cores - têm tantas cores, os vossos pequenos grandes olhos!), é pegar-vos nas minúsculas mãos (onde um dia vos caberá o mundo!) e sentir a força de nunca me quererem largar, e de vos sentir os olhos pousados no meu enrugado rosto... e sentir que a maternidade nos transforma e nos faz sentir as mais belas do mundo... aos vossos olhos que nos fixam com admiração! O amor é tão somente isto! E é muito mais que isto! É acalmar-vos os medos e apaziguar-vos a dor com calor do meu peito! É sentir a calma apoderar-se de mim quando as lágrimas se apoderam dos vossos olhos... são tão indefesas! É querer proteger-vos de tudo e todos e pensar que ninguém pode cuidar-vos como eu vos cuido e protejo! É não querer que outro colo saiba melhor que o meu, e que outro peito vos faça sentir em casa! Hoje são minhas (minhas e do pai, do vosso super pai - que bom tê-lo nas nossas vidas!)! Um dia... daqui a 'milhentos' dias, já poderei partilhar-vos com o mundo mas, hoje, quero-vos só para mim!
E sou má... e nunca pensei sê-lo! E não tenho paciência para ninguém, nem calma, nem respeito (que tantos me merecem!), nem ligeireza, nem a simpatia que sempre me caracterizou! Para vocês tenho uma loja de doces no coração! Há sempre um abraço mais forte que vos acalma, um aperto contra o peito que vos conforta... e o que tenho de sobra para vos dar, tenho tido em falta para com os que me são mais queridos.
Há dez meses em casa. Mãe há quatro. 
E hoje (finalmente! Não por não ter tempo... mas porque há sempre tanto para fazer e eu não permito que ninguém o faça por mim!) permiti-me escrever... e voltarei... prometo que a minha ausência será célere desta vez! Mas as meninas acordaram... e querem o colo da mãe!

Até já... até sempre!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

três corações no meu peito

A vida tira... a vida devolve!

Depois de um final de ano demasiado conturbado, com o repentino e a surpresa a fazer parte do meu quotidiano, 2016 iniciou-se da melhor forma: a sensação de ter vida a crescer dentro de mim voltou! E com a sensação veio a esperança, a certeza de que a partir de agora, depois do período negro que tinha deixado lá atrás (apesar de trazermos sempre um pedaço seu para relembrar no futuro!), senti que tudo iria correr bem!

Janeiro veio com a notícia de que iria ser mãe... Março trouxe a surpresa de que iria ser mãe... a dobrar! Gémeos! E o susto e o medo juntaram-se a uma felicidade que até hoje continua a ser inexplicável! Ainda não sinto a barriga mexer... mas sinto que em mim bate muito mais que apenas o meu coração! E vê-los naquela caixinha mágica em cada ida ao médico, faz-me acreditar cada vez mais na sorte que tenho em estar viva, em tudo aquilo que ganhei por não ter tido receio de voltar a amar! E sinto-me expectante de tudo o que os próximos meses me reservam! Da barriga a crescer de dia para dia, do aproximar do que é suposto ser o melhor momento na vida de uma mulher... de os ter (ou de AS ter!) nos meus braços... algo que é MEU e que jamais deixará de o ser! A um dia de completar 37 anos de existência sinto-me, finalmente FELIZ e COMPLETA!

Mas nem só de rosas vivo... ninguém vive! E os espinhos acabam por assolar todos os que se permitem viver! Em Outubro voltei ao trabalho que tinha abandonado um ano e meio antes... à casa que nunca me quis ver partir e que ansiava a cada dia o meu regresso! Sim, sempre foi a minha casa, porque casa é onde está o nosso coração... e sou uma afortunada por possuir tantas casas no mundo!
E o tempo foi passando.... a alegria desta mudança na minha vida foi partilhada com a "minha família" que também ficou feliz... uma felicidade demasiado efémera que acabou por se concretizar em pesos e medidas do que esta mudança iria fazer às suas vidas! E, como tão bem me acolheram (porque sempre se propuseram fazê-lo!), tão bem me quiseram dizer adeus... no momento que mais precisava! De todas as bocas saem as mesmas palavras de conforto: "tudo vai correr bem! tudo se arranja!"... e o medo de fracasso assola-me, e a possibilidade de não poder dar, pelo menos, tudo aquilo que pude usufruir quando estava a crescer, tira-me o chão!

Já passei por tanto... já ultrapassei tantos obstáculos... já me superei! E agora, que duas vidas mais passarão a depender de mim, de mim e da minha metade, mais superarei, muito mais superaremos!

Que as 37 primaveras continuem a florescer o jardim que fui plantando ao longo dos anos! Que venham com elas lufadas de ar fresco! Os dias cinzentos serão ultrapassados! ACREDITO!

Até um dia... com mais um algarismo acrescentado à vida! :)

'"When proud pied April, dressed in all his trim,
Hath put a spirit of youth in every thing" W.S.'


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

NY I LOVE YOU


Se por cada assalto de memória uma folha de outono caísse.... todas as árvores estariam nuas de inverno!
Foram dias que guardo com carinho, com magia, com descoberta de um mundo completamente díspar de tudo o que me é tão familiar.
Ter podido partilhar tudo isto com a minha alma gémea, só torna tudo mais apetitoso e mais dolorosamente saudoso!
As paisagens, as pessoas que corrupiavam pelas ruas sempre com um objetivo de chegada ou meros transeuntes como nós, os cheiros (não troco o cheiro da minha serra por NADA!), os sabores, as experiências, as luzes ofuscantes, a poluição sonora constante, a simpatia, os sorrisos... até dos olhares tristes eu sinto saudade!

Depois de dois meses de demasiado a acontecer, de lágrimas e sorrisos, de esperança e desilusão... esta foi a melhor lufada de ar fresco que podia sentir ao abrir a janela do outro lado do oceano!

De alma cheia regressei... e que as surpresas boas cheguem juntamente com o novo ano que se avizinha! :)

Até um dia... 





Flatiron

Empire State Building View

Broadway - Imperial Theatre
'Les Miserables'

Times Square by night

MOMA

Manhattan view from Brooklyn

Lady Liberty

Broadway happy feet


Klimt in MOMA

MOMA

Central Park
...e o verde a perder de vista!

Jacqueline Kennedy Onassis Reservoir



quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O insustentável peso da perda...

Há um mês atrás tinha esta publicação para o meu cantinho:

Uma notícia: voltei à vida antiga de despertador de madrugada e convívio diário com pessoas que me aceitam e me valorizam... podia e deveria ter saído pelo meu pé (como tantas vezes estive tentada a fazer), mas deram-me corda aos sapatos... Mesmo assim, nunca me arrependerei de me ter aventurado. Correu mal.... e PASSOU!
Um segredo: estou a ficar gorducha.... com bochechas rosadinhas e um coração gigante!

A alma está cheia.... diz que é assim que se sentem as futuras mamãs!!!! :))))
(ESTOU FELIZ!)
Soube há uma semana que a minha vida iria mudar mas acho (e tenho a certeza) de que ainda não consegui assimilar tudo isto! Tenho medo! Mas junto com o medo vem a esperança, a certeza de que é o que mais quero! Sentir-te crescer dentro de mim durante meses intermináveis....para depois te envolver nos meus braços e perder-me nos teus olhos! 
FELIZ FELIZ FELIZ!!! ❤❤❤❤❤



...e acabou! Acabou tudo! Perdi-te muito antes de ter oportunidade de te conhecer, de te embalar nos meus braços... de te amar muito mais do que amava já! Foram uns dias de pura alegria seguidos de outros tantos de uma sensação inexplicável de perda! A esperança não morre... e sei que voltarei a sentir vida a crescer dentro de mim e a sentir-me tão imensamente feliz como me senti há um mês!
*No céu te embalarei como não pude embalar-te****

Entretanto voltei ao meu antigo trabalho, onde me sinto querida e valorizada! 
Sinto no entanto que me arrancaram outro pedaço... embora estivesse num ponto extremo de saturação, sentia que as coisas poderiam melhorar... ou queria ter tido a coragem de, nos momentos em que me sentia agonizar por dentro, levantar a voz e abandonar a cadeira! E não! Não valorizaram tudo o que dei, toda a entrega, toda a dedicação e abdicação de vida pessoal! Como quem usa um lenço de papel... usaram-me e atiraram-me para o lixo sem pensar duas vezes! A mágoa continua bem presente... mas o tempo tudo cura e as horas tudo levam para longe! Aqui vou ser feliz! Talvez não tão realizada, não tem "bem sucedida", mas em PAZ!

Fizemos a viagem da nossa vida (até agora!) e percorremos 5000km de céu para encontrar A Grande Maçã! Um dia, com tempo (e vontade!), conto tudinho***

E o ano está a chegar ao fim... e foi tão cheio de tudo de bom... tudo de mau... 
Com os olhos posto no futuro, sinto que a partir de agora a vida me (nos) sorrirá mais ainda!

Até...


quinta-feira, 9 de abril de 2015

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Pai*

Hoje o dia é meu.... do alto dos meus 36 anos acabados de nascer, sinto saudades tuas há 15! Há 15 anos ainda te ouvi dizer "Parabéns, filha!"... e já não ouço! Não da voz do homem que me viu crescer e que em tanto contribuiu para me tornar na mulher que sou hoje! A mulher que deixaste menina... Obrigada pelos anos dedicados! Obrigada pela vida!*** 

"Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono - a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas 
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí
nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me
depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem
que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome - porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes."

quarta-feira, 25 de março de 2015

cheiro a mar*




Onda da manhã, eu vi você sair do mar
E todo sentimento que rodeia
Foi a luz do sol ou foi o vento que soprou
O macio dessa areia




banda do mar

quinta-feira, 19 de março de 2015

15 anos...

Há 15 anos eu era uma miúda... apesar dos meus recentes 21 anos ainda não sabia bem o sentido da vida e muito menos o que o futuro me poderia reservar! Sempre estiveste comigo, sempre me apoiaste e contigo podia contar SEMPRE! Mesmo que as minhas palavras te ferissem e passássemos infinitos dias sem proferir uma palavra um ao outro (e ver a tristeza nos teus olhos tirava sempre um pedacinho de mim!), sei que o teu amor por mim era inquebrável! E partiste... há 15 anos que abandonaste tudo o que te era querido... sem tempo para despedidas, sem oportunidade de fazer o que tinhas sonhado para a tua velhice, de rugas das marcas da vida e cabelos esbranquiçados pelo passar dos dias , de mão na mão com a mulher com quem escolheste ficar... partiste sem poder viver! Ou sem viver como querias ter acabado os teus passos na terra! Cansei-me de bradar aos céus o quão injusta a nossa passagem terrestre pode ser! Cansei-me de desfazer em lágrimas o meu corpo por dentro... e tentar desvendar mistérios do porquê desta viagem brusca sem retorno!
Todos os dias me assaltas a memória, pelas mais diversas situações por que passo diariamente... e a tua imagem reflecte, ao fundo, no espelho de casa quando me olho... e já não me conheço! Saudades sempre... do tempo que nos roubaram, Pai**

quarta-feira, 18 de março de 2015

não gosto de mostarda...

...e quando me chega ao nariz, fervo na pouca água do tacho que pus ao lume!
Sempre fui muito impulsiva, regida por acções impensadas... sempre tive o coração na boca e os nervos de aço! SEMPRE fui assim! SEMPRE!
Nesta vida nova que escolhi, em detrimento da que tinha anteriormente (estamos a falar de TRABALHO), aprendi a controlar impulsos, a contar até 10 antes de verbalizar todas as explosões que tinha dentro de mim prestes a ser disparadas! Eduquei-me (obrigatoriamente!) porque não podia continuar a ser tão selvaticamente desbocada como era antes! Mas antes ninguém me pisava e era respeitada! Opiniões são como (qualquer coisa que não gosto de proferir): toda a gente as tem, quem quer dá-las, dá-as - sempre ouvi dizer! E se tenho dúvidas ou necessito esclarecimentos peço-os sem vergonha alguma! Ninguém nasce ensinado e toda a gente tem o direito de ver as suas dúvidas esclarecidas! Não quero criar conflitos, não quero exaltar-me, não quero elevar os meus níveis de decibéis, nem transformar a passividade das minhas respostas escritas em afrontas pessoais... mas que não me coloquem a porcaria da mostarda à frente! Eu espirro e facilmente nasce um elaborado ser de verborreia! E não quero isso! Somos todos adultos e os desentendimentos (ou opiniões divergentes!) resolvem-se com conversas civilizadas!
Não admito que me faltem ao respeito nem que se dirijam a mim em tom menos correcto! Nunca o admiti a ninguém e não é neste momento, no alto dos meus quase 36 anos (cruzes!) que vou começar a fazê-lo! Independentemente do posto que ocupam, eu não bato pala a ninguém porque não considero que alguém esteja acima de mim, humanamente falando! 
Desabafos de um corpo dormente, de uma alma assaltada por injustiça... e muita revolta prestes a sobressair! E não quero explodir! Preciso ir para o cimo da minha Gardunha (que está a perder todo o seu natural encanto) e mandar três pares de ecos por essa Cova da Beira fora... para não deixar ninguém surdo (ou ofendido!) num encontro cara-a-cara!
E mostarda... não, não gosto mesmo nada! Mas se a sanduíche fizer questão, eu recheio-a!



Tal e qual! : http://girls-go.blogs.sapo.pt/857546.html