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quinta-feira, 3 de julho de 2025

blá blá blá, vida nova.



    Em janeiro de 2024 dei o último ar da minha graça neste meu cantinho. É cada vez mais difícil pôr em palavras escritas (escritas e proferidas!) o que sinto, falar abertamente sobre o que me vai na alma. Sinto que as palavras me fogem, como o tempo que corre sem me dar tempo para o apanhar! Sinto que as lágrimas secaram e o sorriso esmorece a cada diz de passa. Fecho a porta de casa e comigo levo todas as intempéries do dia e elas, sem querer, acabam por carregar tudo o que eu carrego e que só a mim diz respeito... e sou injusta e elas ouvem e gritam e choram. E choramos as três! 
    Terminaram o terceiro ano e no último ano deste ciclo vão recomeçar. Quem as acompanhou nestes últimos três anos vai abraçar outro projeto e não as leva até ao fim. Se estou triste? Não. Passarão por mudanças a vida inteira e isso só vai fazer com que cresçam e se habituem que os momentos são efémeros, tal como as pessoas que fazem parte da nossa vida. Foram felizes até aqui? Sim e não. Aprenderam as letras e os números, a junção de palavras, os cálculos e o mundo que nos rodeia. Aprenderam a partilhar mais, a regrar-se mais, a conhecer limites... e a ver e ouvir coisas que não deveriam ter visto ou ouvido tão cedo! Há pessoas que não estão talhadas para o que fazem, mas que continuam a fazê-lo. E outras há, felizmente, que se apercebem do que está errado e mudam, porque estamos sempre a tempo de mudar!
    Tenho medo (temos todos!) do que a mudança trará a estas minhas meninas pequeninas (que são menos pequeninas do que quero acreditar!), mas não quero pensar muito nisso! Escolhi tanto há três anos e arrependi-me quase todos os dias... coisas de adulto! Para eles é tudo tão mais fácil!
    Sem mais nada a dizer, fico por aqui, até a vontade de escrever voltar a assaltar-me!
 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O insustentável peso da perda...

Há um mês atrás tinha esta publicação para o meu cantinho:

Uma notícia: voltei à vida antiga de despertador de madrugada e convívio diário com pessoas que me aceitam e me valorizam... podia e deveria ter saído pelo meu pé (como tantas vezes estive tentada a fazer), mas deram-me corda aos sapatos... Mesmo assim, nunca me arrependerei de me ter aventurado. Correu mal.... e PASSOU!
Um segredo: estou a ficar gorducha.... com bochechas rosadinhas e um coração gigante!

A alma está cheia.... diz que é assim que se sentem as futuras mamãs!!!! :))))
(ESTOU FELIZ!)
Soube há uma semana que a minha vida iria mudar mas acho (e tenho a certeza) de que ainda não consegui assimilar tudo isto! Tenho medo! Mas junto com o medo vem a esperança, a certeza de que é o que mais quero! Sentir-te crescer dentro de mim durante meses intermináveis....para depois te envolver nos meus braços e perder-me nos teus olhos! 
FELIZ FELIZ FELIZ!!! ❤❤❤❤❤



...e acabou! Acabou tudo! Perdi-te muito antes de ter oportunidade de te conhecer, de te embalar nos meus braços... de te amar muito mais do que amava já! Foram uns dias de pura alegria seguidos de outros tantos de uma sensação inexplicável de perda! A esperança não morre... e sei que voltarei a sentir vida a crescer dentro de mim e a sentir-me tão imensamente feliz como me senti há um mês!
*No céu te embalarei como não pude embalar-te****

Entretanto voltei ao meu antigo trabalho, onde me sinto querida e valorizada! 
Sinto no entanto que me arrancaram outro pedaço... embora estivesse num ponto extremo de saturação, sentia que as coisas poderiam melhorar... ou queria ter tido a coragem de, nos momentos em que me sentia agonizar por dentro, levantar a voz e abandonar a cadeira! E não! Não valorizaram tudo o que dei, toda a entrega, toda a dedicação e abdicação de vida pessoal! Como quem usa um lenço de papel... usaram-me e atiraram-me para o lixo sem pensar duas vezes! A mágoa continua bem presente... mas o tempo tudo cura e as horas tudo levam para longe! Aqui vou ser feliz! Talvez não tão realizada, não tem "bem sucedida", mas em PAZ!

Fizemos a viagem da nossa vida (até agora!) e percorremos 5000km de céu para encontrar A Grande Maçã! Um dia, com tempo (e vontade!), conto tudinho***

E o ano está a chegar ao fim... e foi tão cheio de tudo de bom... tudo de mau... 
Com os olhos posto no futuro, sinto que a partir de agora a vida me (nos) sorrirá mais ainda!

Até...


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Correr o mundo de lés a lés

Neste texto achei e compreendi a necessidade de sermos mais que aquilo que nos propuseram ser... marionetas da sociedade! Bonecos com cordelinhos que só movimentam as palhas que a vida lhes dá, sem ter a coragem de tornar os seus gestos únicos e intransponíveis! Sim, sempre me queixei da inércia da vida que levo, ou que me conformei viver e a coragem de partir sem olhar para trás continua a provocar-me borboletas na barriga, borboletas que suplicam a sua soltura para voar... e me levar com elas! Mas já perdi o barco há muito tempo... nunca marquei a viagem! E sonhar não nos leva a lado algum (a não ser no fundinho da nossa imaginação!).
A minha vida não é feita de queixumes e muito menos de momentos tristes! É completa! Tenho o que quero e aquilo por que lutei... nunca lutei por mais! E o que tenho fornece-me o oxigénio de que necessito para viver... feliz! 
E felizes sejam aqueles que decidem colocar o pé na estrada, correr o mundo, viver a vida, sentir a brisa fria na cara e sentirem que é assim que querem morrer... na estrada (salvo seja!)! Que as viagens lhes encham os olhos... e a alma! :)

http://preguicamagazine.com/2013/02/07/viver-para-viajar/



terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Alfazema

Eu calo as palavras, poupo o vocabulário, é que
Pró meu silêncio ainda não há um dicionário
E eu não falo sem pensar e não quero pensar demais
Não espero interpretações ou traduções emocionais.
Como todas as mulheres quero sentir que sou diferente
Sou todo o cliché da vida toda pela frente.
Sou carente q.b. como um domingo persistente em que
Não sei porquê a gente tem olhar ausente.
Amiga como tu tenho medo da rejeição
Chorei deitada no chão, achei que era em vão e não
Havia solução a ferida ficaria aberta,
É certo que te marca mas não mata só desperta.
Também sou insegura ponho a lupa nos defeitos,
Tenho a fúria do espelho, muitas dúvidas no peito
Ás vezes não me valorizo, não grito quando é preciso
Não tenho juízo e vivo em função doutro indivíduo
Como tu não sou perfeita mas esse é o nosso carisma
E quem cisma e não respeita não consegue ver um cisne.
A beleza não se finge é aquilo que tu emanas, mana
Como uma esfinge fica sólida a uma deusa humana.
Somos assim cheias de contradições como as tradições
sem fim que nos atiram pra depois.
Vestem-nos de cor de rosa pra enfeitar um mundo que é cinzento,
Querem-te vistosa mas cagam em como estás por dentro
E não tens tempo pra te amares a ti
Tens de ser loira, boa, magra, sensual e com Q.I.
Claro que assim manter uma auto-estima dá muito trabalho.
Não sou a super-mulher e mando o mundo po caralho!
Carta fora do baralho mas serei dama de copas,
Serei rainha como tu um dia, topas?
E quando fraquejares vais repetir num sussurro
Aquilo que eu canto pra sorrir um dia escuro.

Refrão:
Eu cheiro a alfazema, eu sou poema
Eu sou aquela que tu querias ao teu lado no cinema...

Capicua

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013





"Que goste de mim como eu sou, nem eu sei como é, mas que ele saiba. Que não precise de ginásticas nem palavras contadas. Que não haja jogo. Que se preocupe comigo e eu saiba, que eu sinta. E o contrário. Que me deixe amá-lo. Que o melhor dos seus dias sejamos nós. Que sorria quando pensa em mim. Que amanhã seja sempre bom por ser mais um dia. Que seja calmo, que me acalme. Que me respeite mais que tudo. Que saiba que eu estou lá, vou lá estar sempre. Que seja muito bom sempre, enquanto dure. Que dure muito. Que seja a vida. Que olhe nos meus olhos e se encontre, que nos seus olhos eu esteja em casa, onde estiver. Que a minha gargalhada e a sua gargalhada sejam as mais poderosas. Que o resto do Mundo não interesse muitas vezes. Que eu possa ser sempre quem eu quiser. Que ele seja livre. Que valha sempre a pena. Que quase nunca haja dúvidas. Que os seus sonhos se realizem. Que o meu sorriso lhe cure muita coisa. Que sorria para mim sem mais nada. Que me conte segredos, que tenhamos segredos. Que sinta que é certo. Que o tempo que vem seja sempre muito pouco para nós. Que me ame, que me ames."



quinta-feira, 14 de março de 2013

JLP


Abandona os gestos desnecessários, abandona o peso e a forma do corpo, abandona o chão. Tens altura suficiente para entrar. Podes sentar-te à frente e podes levantar os braços nas descidas. Subirás devagar, aproveita para ver a paisagem. Descerás de repente, num instante de onomatopeias: zut, vrrrum. Grita. Se quiseres podes gritar. O vento gritará ao teu lado. Tens o cinto de segurança posto, já não podes voltar atrás, já não podes abandonar o ritmo a que bate o teu coração, o teu coração, o teu coração. Respira, a vida é feita de estar vivo. Não vás de olhos fechados, abre os olhos e respira, repara neste momento da tua vida: estás numa montanha-russa, mas nem estás numa montanha, nem estás na Rússia.

José Luís Peixoto



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Caminhante...





Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.


António Machado