quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Correr o mundo de lés a lés

Neste texto achei e compreendi a necessidade de sermos mais que aquilo que nos propuseram ser... marionetas da sociedade! Bonecos com cordelinhos que só movimentam as palhas que a vida lhes dá, sem ter a coragem de tornar os seus gestos únicos e intransponíveis! Sim, sempre me queixei da inércia da vida que levo, ou que me conformei viver e a coragem de partir sem olhar para trás continua a provocar-me borboletas na barriga, borboletas que suplicam a sua soltura para voar... e me levar com elas! Mas já perdi o barco há muito tempo... nunca marquei a viagem! E sonhar não nos leva a lado algum (a não ser no fundinho da nossa imaginação!).
A minha vida não é feita de queixumes e muito menos de momentos tristes! É completa! Tenho o que quero e aquilo por que lutei... nunca lutei por mais! E o que tenho fornece-me o oxigénio de que necessito para viver... feliz! 
E felizes sejam aqueles que decidem colocar o pé na estrada, correr o mundo, viver a vida, sentir a brisa fria na cara e sentirem que é assim que querem morrer... na estrada (salvo seja!)! Que as viagens lhes encham os olhos... e a alma! :)

http://preguicamagazine.com/2013/02/07/viver-para-viajar/



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Ai.... caramba! :(

Bolas!
Estou há horas a olhar para este ecrã, para o escritório vazio, para um pedaço da Gardunha que daqui consigo vislumbrar, para as mãos enfeitadas de marcas do frio, para as varetas de um aquecedor pré-histórico que faz mais barulho do que efectivamente aquece, para as playlists que o youtube aleatoriamente escolhe para mim! Hoje tudo me soa mal... tudo! Detesto as segundas-feiras que vêm demasiado cedo, chegam naquele momento em que o fim de semana nos começa a saber bem! E o que insisto escrever soa-me mal!
Detesto estes dias! Não fui feita para passar os dias assim, sentada numa cadeira a olhar o vazio... por obrigação! Se for essa a minha vontade, sabe que nem ginjas... assim... sabe a amoras ornamentadas de espinhos!
Detesto não ter nada para fazer, inventar para me distrair, aproveitar visitas para manter a mente desperta e os lábios humedecidos pela conversa! Detesto ver os dias passar e não tirar proveito algum do fluir das horas... do fugir do tempo! 
Vou desistir! Em dias destes nem escrever me sacia a fome de nada fazer! Gosto de ter opção de escolha! Não fazer nada porque não há nada para fazer é das coisas que mais me tiram do sério! Pudesse eu agarrar-me ao volante, abrir o vidro com música estridente o suficiente para partilhar com os transeuntes... parar na minha Gardunha... olhar a cidade ao longe... e não fazer nada! E era um dia feliz!
Já chega! Hoje já chega de me obrigar a escrever!
Fui....

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Alfazema

Eu calo as palavras, poupo o vocabulário, é que
Pró meu silêncio ainda não há um dicionário
E eu não falo sem pensar e não quero pensar demais
Não espero interpretações ou traduções emocionais.
Como todas as mulheres quero sentir que sou diferente
Sou todo o cliché da vida toda pela frente.
Sou carente q.b. como um domingo persistente em que
Não sei porquê a gente tem olhar ausente.
Amiga como tu tenho medo da rejeição
Chorei deitada no chão, achei que era em vão e não
Havia solução a ferida ficaria aberta,
É certo que te marca mas não mata só desperta.
Também sou insegura ponho a lupa nos defeitos,
Tenho a fúria do espelho, muitas dúvidas no peito
Ás vezes não me valorizo, não grito quando é preciso
Não tenho juízo e vivo em função doutro indivíduo
Como tu não sou perfeita mas esse é o nosso carisma
E quem cisma e não respeita não consegue ver um cisne.
A beleza não se finge é aquilo que tu emanas, mana
Como uma esfinge fica sólida a uma deusa humana.
Somos assim cheias de contradições como as tradições
sem fim que nos atiram pra depois.
Vestem-nos de cor de rosa pra enfeitar um mundo que é cinzento,
Querem-te vistosa mas cagam em como estás por dentro
E não tens tempo pra te amares a ti
Tens de ser loira, boa, magra, sensual e com Q.I.
Claro que assim manter uma auto-estima dá muito trabalho.
Não sou a super-mulher e mando o mundo po caralho!
Carta fora do baralho mas serei dama de copas,
Serei rainha como tu um dia, topas?
E quando fraquejares vais repetir num sussurro
Aquilo que eu canto pra sorrir um dia escuro.

Refrão:
Eu cheiro a alfazema, eu sou poema
Eu sou aquela que tu querias ao teu lado no cinema...

Capicua

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

“Ouço-te ciciar amo-te pela primeira vez, e na ténue luminosidade que se recolhe ao horizonte acaba o corpo. Recolho o mel, guardo a alegria, e digo-te baixinho: Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.”
Al Berto, in ''O último coração de sonho''.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

as mexeriquices da alma!

Nem os dias, muito menos as horas e os minutos estão contabilizados na minha memória desde a última vez em que abri esta página em branco... com vontade de enchê-la de letras pequeninas para se transformarem em palavras sentidas, com significado! Hoje, como os dias são agora mais calmos e as horas mais longas (como se o tempo tivesse forma de se prolongar!), hoje resolvi perder tempo com o que antes (há tanto tempo!) era tão habitual! E escreverei até que faça sentido para mim escrever... e escreverei até que as mãos me doam e o peito fique vazio com todo o entulho que o anda a fazer respirar devagarinho...
Nada de concreto sairá daqui.... sei que daqui a uns tempos, quando a vontade absurda de voltar a escrever me assaltar, sei que vou saber exactamente o que senti ao deambular por estas linhas invisíveis.
Mudei! Mudei de trabalho, logo mudei de vida! Mudei de hábitos (ou obrigações?!) madrugadores e de rabugices vespertinas! Mudei de humor, mudei de bem-estar com a vida! Sou mais feliz, mais cansada, mais responsável, mais sábia.... se me dão mais valor? Não dão! A amizade que tinha (e TENHO) com as pessoas com quem convivia todos os dias não voltei a ter... conhecem-me tão bem! Aqui, só me conhece quem eu deixo realmente que me conheça... ninguém, portanto! Surpreendo-me cada vez mais com máscaras e sentimentos não sentidos, com palavras que transpiram falsidade, com olhares que transmitem tudo o que os lábios não têm coragem de proferir! Raça humana tão animalesca aquela que me circunda! 
Se me dão o valor que mereço?! Não dão... podem agradecer e aplaudir no momento mais conveniente e depois esquecem... para se relembrarem quando outro momento oportuno chegar! Se me dão valor?! Não dão... mas aqui sinto que estou de facto a fazer algo por mim, pela minha evolução enquanto pessoa, enquanto profissional (afinal, foi para isso que perdi (ou ganhei) tantos anos com a cara enfiada nos livros (ou fora deles!)) Se me dão valor?! Não dão... mas para isso, dou eu a mim mesma todo o valor e dedicação que sinto que tenho, que sei que dou! Não dão... mas vale a pena! Vale a pena sentir que afinal sou muito mais do que me habituei a ser... do que me conformei que seria sempre! E tive medo... e vontade de voltar atrás, recuar... mas se o fizesse nunca mais sairia de uma vida que não queria que fosse a minha! 
Feliz? Sou.... no momento em que os meus pés pisam o tapete redondo que me recebe à entrada de casa... e os braços que me adormecem se estendem para me abraçar! Sou... quando o sol nos acompanha pelos caminhos que trilhamos! Sou... quando os olhos se irradiam de luz no rosto de amigos que vou perdendo de vista e reencontro! Sou... quando as vozes distantes se lembram de ouvir a minha e marcam o meu nº (preguiça a minha que não me deixa ser mais vezes assim!)! Sou... quando todos os dias o colo da minha mãe ainda está lá para eu me aninhar! Sou... quando saio de casa a caminho do trabalho, quando ainda ensonada buzino aos que 'parecem lesmas de estrada', quando ao longe avisto o edifício onde passarei o resto do dia... e feliz continuo o resto do dia porque a vida, apesar de não me dar muitos presentes (se não pensar no amor, na amizade, na família, no sol, nos trilhos que percorro, nas gargalhadas que solto quando os meus olhos brilham, nos sorrisos que se abrem ao olhar para mim), não me tem roubado mais do que roubou já...
Sou feliz... já não é mau! É (SÓ) muito bom!!!! :)

Um dia volto.... quando os bichos mexericos me provocarem comichão na ponta dos dedos e o coração estiver demasiado perto da boca! :)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014


Quero uma casa no campo como elis regina,
Plantar os discos e os livros ,
E quem sabe uma menina,
Por mim até podem ser mais,
Um amor como os meus pais,
Os dias como os demais,
Sem serem todos iguais.
Casa no campo com a porta sempre aberta para deixar entrar amigos,
Partir à descoberta,
Ter a minha cama grande a colcha predileta e um cão desobediente dorme em cima da coberta.
Quero uma casa completa
com um pedaço de terra,
E com o espaço quero o tempo para adormecer na relva,
Longe da selva de cimento,
Eu acrescento que quero cultivar mais do que mero conhecimento,
Quero uma horta do outro lado da porta e quero a sorte de estar pronta quando a morte me colher,
Quero uma porta do outro lado da morte,
Ter porte de mulher forte quando a vida me escolher.
Quero uma casa no campo que cheire a flores e frutos,
A gomas e sugus,
A doces e sumos,
Cozinhar para quem quer comer,
Comer como sei viver,
Com apetite já disse que não quero emagrecer.
Comer de colher sopa,
Fazer pão,
Estender a roupa,
Eu faço pouco das bocas que me dizem para crescer,
Eu quero rasgar janelas nas paredes cujas pedras
carregar com as mãos que uso para escrever.
Casa no campo com lareira e fogo brando,
Que ilumina todo o ano,
O sorriso de quem amo,
Quero uma casa no campo que pode ser na cidade,
Mas tem de ser de verdade,
Mesmo não tendo morada…
Onde é que aprendeste o que é o infinito ?
Foi na contra-capa de um livro da Anita
Diz-me qual é o teu perfume favorito ?
Pão quente, terra molhada e manjerico
Anda viver comigo
colamos o nosso umbigo
e não passaremos frio
no nosso lugar distante
Como um filho, como um disco, como um livro, uma ave.

Capicua

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013





"Que goste de mim como eu sou, nem eu sei como é, mas que ele saiba. Que não precise de ginásticas nem palavras contadas. Que não haja jogo. Que se preocupe comigo e eu saiba, que eu sinta. E o contrário. Que me deixe amá-lo. Que o melhor dos seus dias sejamos nós. Que sorria quando pensa em mim. Que amanhã seja sempre bom por ser mais um dia. Que seja calmo, que me acalme. Que me respeite mais que tudo. Que saiba que eu estou lá, vou lá estar sempre. Que seja muito bom sempre, enquanto dure. Que dure muito. Que seja a vida. Que olhe nos meus olhos e se encontre, que nos seus olhos eu esteja em casa, onde estiver. Que a minha gargalhada e a sua gargalhada sejam as mais poderosas. Que o resto do Mundo não interesse muitas vezes. Que eu possa ser sempre quem eu quiser. Que ele seja livre. Que valha sempre a pena. Que quase nunca haja dúvidas. Que os seus sonhos se realizem. Que o meu sorriso lhe cure muita coisa. Que sorria para mim sem mais nada. Que me conte segredos, que tenhamos segredos. Que sinta que é certo. Que o tempo que vem seja sempre muito pouco para nós. Que me ame, que me ames."



terça-feira, 22 de outubro de 2013

Arcade Fire - Afterlife




When love is gone
Where did it go?
And where do we go?
It's just an afterlife
It's just an afterlife
It's just an afterlife with you
It's just an afterlife :)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Que saudades eu tenho de pegar numa caneta e perder-me em palavras que me saem directamente da alma para páginas brancas soltas que encontro perdidas em qualquer lugar...
Que saudades tenho eu de me sentar frente ao ecrã vazio com o pisca pisca do cursor a pedir insistentemente que o faça rodar em espiral até ao fundo da página...
Que saudades eu tenho de ser eu... para mim... para mais ninguém... anónima de uma página criada quando ainda sabia escrever... e perder-me em devaneios oriundos de sonhos meus! 
E tinha sonhos... tinha tantos! Era uma alma aventureira, quando a vida ainda não me tinha ensinado o que é perder alguém... o que é acordar um dia e querer apenas que o dia anterior regresse... e se eternize!
E pensava sair do lugar onde nasci e que me viu crescer! E aspirava percorrer todos os caminhos que a vida me permitisse percorrer, sem esquecer quem ficava, mas sem me arrepender de não olhar para trás!
Eu era assim, em menina inocente que vê o mundo com olhos de fome por mais, sempre mais! Que olha para além fronteiras e acredita que o futuro é naquela direcção, que todos os sonhos serão vividos tal qual acontecem quando os olhos se fecham para uma noite de descanso... Eu era assim! Sempre me lembro de ser assim... e depois cresci! E o medo veio com os anos! O medo de arriscar, de aventuras, de viver longe, de subsistir... de viver por mim!
E fiquei por aqui, no lugar onde nasci e que me viu crescer... no lugar que me deu asas e acabou por tirá-las! Ninguém me prendeu aqui, ninguém é responsável pelo meu receio de concretizar o que sempre quis! EU ESCOLHI! Eu quis ficar aqui porque acreditava que aqui também poderia ir longe, sem tem de partir!
E amo tanto viver aqui, neste lugar onde nasci, que me viu crescer... e de todo um país à beira-mar esquecido que tem tanto para percorrer, para descobrir... e que está a morrer aos poucos!
Hoje tenho medo, não por mim porque vivi o que tinha a viver na altura em que devia ter vivido... tive oportunidades de escolha, de aventura, de aprendizagem e de concretização de sonhos! Se hoje estou onde estou, é por mim! Podia ter partido, mas fiquei... demasiado acomodada com a vida que poderia preencher-me mais a nível profissional, mas foi escolha minha e é com ela que tenho de viver! E os filhos que quero ter? E olhos esperançosos dos filhos das minhas pessoas que já se permitem sonhar? Que futuro terão eles num país assombrado por dias intermináveis de más notícias, desilusões e excesso de falta de luta? Onde está o direito de querer ficar onde se cresceu sem ter medo de não ter nada a que se agarrar? Por que mundo estamos a lutar dia após dia? É para morrermos sem termos tempo de um banco de jardim a olhar para o passado com as mãos que nos aqueceram a vida inteira entrelaçadas nas nossas? É para isso que vivemos? Para um dia, no final de 8 horas de trabalho, com o corpo e a mente que já mereciam descanso, cairmos sem mais forças para nos levantar? É para nos despedirmos da vida sem tempo de vivê-la?
Hoje tenho de vontade de partir, sim.... entrelaçar fortemente a minha mão na mão que se une à minha no final de cada dia e partir e não olhar para trás! Afinal, para além de quem nos viu nascer e nos ajudou a crescer... o que há aqui que mereça o nosso último olhar... sem doer? 


'E eu vou, e a luz do gladio erguido dá,
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.'

Pessoa in Mensagem

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Mulher





Se é clara a luz desta vermelha margem
 
é porque dela se ergue uma figura nua 
e o silêncio é recente e todavia antigo 
enquanto se penteia na sombra da folhagem. 
Que longe é ver tão perto o centro da frescura 

e as linhas calmas e as brisas sossegadas! 
O que ela pensa é só vagar, um ser só espaço 
que no umbigo principia e fulge em transparência. 
Numa deriva imóvel, o seu hálito é o tempo 
que em espiral circula ao ritmo da origem. 

Ela é a amante que concebe o ser no seu ouvido, na corola 
do vento. Osmose branca, embriaguez vertiginosa. 
O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar. 
Quase dorme no suave clamor e se dissipa 
e nasce do esquecimento como um sopro indivisível. 

António Ramos Rosa, in "Volante Verde"

sábado, 31 de agosto de 2013




O que me Faz Escrever este PoemaO que me faz escrever este poema 
não são as coisas: terra céu astros. 
A saber: estendo a mão: e 
o mundo reconhece-a encontra a 

memória onde repousa e se transforma. 
Pequena questão de valor cósmico. Insisto: 
elo que liga bruma e fumo 
felicidade de imagens nome inamistoso. 

Não sonho palavra sonho barco. 
Imóvel aprendo a não esquecer: 
aspecto mineral do corpo 
um destino de mica qualquer coisa 
que não cessa de bater.
 João Miguel Fernandes Jorge, in "Vinte e Nove Poemas"