sábado, 27 de janeiro de 2018

Corredores sem fim...

Ninguém nos prepara para isto da maternidade! Nada! Nem a vida, sequer!
Quando o ventre se enche de vida e a pele fica mais bonita, quando já não vemos a ponta do atacador para apertar os sapatos e tudo o que queremos é dormir e comer como se não houvesse amanhã... por alguma razão que desconheço, esquecem-se de nos dizer que a vida de mãe (de pais!) não é o mar de nuvens fofinho onde eles crescem intocáveis e protegidos e nada de mal lhes acontece porque a nossa mão lhes vai sempre amparar as quedas e os medos maus! Só que não!
Depois de nascerem, quando troquei o quarto de hospital pela casa que decorámos e levei uma, percorri demasiadas vezes os corredores deste hospital para tocar a uma campainha e dizer todos os dias "é a mãe da Clara"... Hoje já não há botão de campainha para me deixar entrar... mas a Clara voltou para uns metros mais à frente daquele casulo protector de bebés minúsculos... Voltou para um quarto de meninos maiores! É a terceira noite que vamos dormir longe do pai e da mana. E se há quase 18 meses o meu coração se apagava em cada vai e vem de estrada porque deixava ora uma, ora outra... agora evade-se do meu corpo e por momentos adormeço a mãe em mim atrás do volante e viajo em piloto automático por uns minutos! Hoje já não tenho a fragilidade de um parto precoce e uma separação forçada! Hoje tenho quase 18 meses de maternidade! Tenho esses dias todos de vida delas junto a mim - das duas juntinho uma da outra! Da cumplicidade que se vê crescer entre elas, dos abraços sentidos que já nos dão, das lágrimas de nos verem sair porta fora porque as estamos a "abandonar"... e é sempre o que sinto em cada vai e vem de estrada sem noção da quantidade de vezes que tenho de repetir! E estou exausta! O corpo aguenta... a alma dói! Não é o coração! A alma entrega-se à dor sem pudor algum e leva-nos às lágrimas como uma entrada em cena de uma peça de teatro mal argumentado sem tempo para o correr das cortinas! A alma deixa-nos nuas... É o que sinto quando passo (sem passear!) pelos corredores da pediatria e vejo as outras mães, com os seus filhos, sem olharem nos olhos das outras mães que têm os filhos nos quartos ao lado, nos quartos em frente! Aqui estamos entregues a eles e eles a nós. Cada quarto é o nosso mundo, o mundo provisório que temos de manter limpinho e seguro para nos deixarem sair rápido que aqui não é vida para ninguém, não senhor! 
E o lugar de cada filho deveria ser em casa, na casa dos pais, no colo das mães, na segurança que a família representa! 
Aguenta, filha! Em breve deito-te nos lençóis de nuvens cor de rosa e a mana acorda-te da preguiça com o habitual e sonoro "Cáaaaaaaa"... e somos os 4 mosqueteiros juntinhos outra vez! 
Ah! Já te disse que só te desculpo estares doente porque só assim te aninhas no meu peito como agora, neste momento? E estes minutos são só nossos, aqui, no pequeno mundo de onde sairemos em breve...

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Dias...


...e num ápice, como já tem sido habitual na movimentação dos dias nestes últimos 400 e alguns, estão quase dois meses passados desde que a nossa vida mudou! Pausei (ahahahah!) durante três semanas porque a escolinha fechou e quis ficar com elas porque desconheço o que o futuro me reserva e este verão era para elas... para nós... como gostaria que todos fossem! 
Nestas três semanas vi-as crescer de uma forma assustadora! Já não passava 24 horas multiplicadas por 27 dias seguidas com elas desde que as deixei o primeiro dia na casa que é agora a segunda delas! E é tudo tão mágico... como extenuante! E precisam cada vez mais de mim, de nós! De atenção e mimo, de muito colo e repreensões (porque acham que já são crescidas o suficiente para se darem ao direito de soltar gritos estridentes quando a "vida não lhes corre bem")! É tudo tão enriquecedor... como desgastante! E os braços doem porque agora, mais do que quando AINDA eram bebés pequeninos, me querem as duas em simultâneo... e para além da dor física, fica a mágoa por o meu corpo não se duplicar, como elas se duplicaram dentro de mim - para as poder albergar na minha toca e protegê-las de tudo e curá-las de tudo e dar-lhes O colo que raramente dou porque, INDEPENDENTEMENTE DO QUE TOOOOOOOOOOOOOOOOOODA A GENTE PENSA, quando o meu colo abraça uma, o meu coração está SEMPRE preenchido com a metade que a outra ocupa! Não amo mais uma do que amo a outra, não tenho preferências - NUNCA TIVE! A vida permitiu-me ter uma todos os minutos do dia mais cedo do que a outra teve oportunidade de abandonar a casa de vidro onde foi obrigada a viver depois de deixar o meu ventre cedo demais... ambas o deixaram cedo demais! E eu não estava preparada... nem para deixar de as sentir dentro de mim, nem para não poder senti-las ao mesmo tempo! Mas o amor que sinto é dividido equitativamente por ambas! Nem mais, nem menos! E se alguém pensa de forma diferente - que vá plantar árvores em África onde possam crescer os macaquinhos que habitam nas suas cabeças! Se uma sempre deu mais trabalho e, como tal, precisava de mais atenção, não significa que a outra tenha sido preterida! Se não dei (OU NÃO DOU!) a mesma quantidade de colo a cada uma, é porque a mais difícil é sempre passada para os meus braços (SEM EU PEDIR) porque "ela quer a mãe!", porque "já viu a mãe", porque "a mãe é que a acalma!"... e sim, se já passou mais de um ano a ser passada para os braços da mãe, são os braços da mãe que ela prefere SEMPRE, mesmo que a mãe se sinta uma merda por ver os olhos e o corpo da outra a querer saltar-lhe para o colo e não poder... porque ninguém consegue "domar a fera"! Não tenho de me justificar a ninguém! Este é o meu livro! MEU!!!!!!!!! Se eu quiser usar vernáculo, problema meu! Se isso causa problemas a alguém - estou-me a marimbar DE ALTO para isso! Não me chateiem nem julguem (pelas costas!)! Se eu ofender ou incomodar alguém ou se causar mau estar, DIGAM-ME! Não tirem ilações das minhas atitudes como se me conhecessem ou conhecessem as minhas filhas... PORQUE NÃO CONHECEM!!!!!! E jamais vão conhecê-las, não PORQUE EU NÃO DEIXO OU PORQUE SOU UMA CABRA EGOÍSTA, porque os vossos olhos cegam e os vossos ouvidos se fecham quando sobre elas surgem conversas sérias sobre o que elas fazem ou como elas agem... de tétés estou FARTA!!!!!! Não quero atenção para mim, quero atenção SOBRE ELAS! Mas esta situação, depois de um ano passado, não vai mudar! E jamais irá mudar enquanto os envolvidos (eu incluída!) não se sentarem juntos a conversar (sim, depois de EU aprender a conversar e a fazer com que as pessoas deixem de me ouvir e não me respeitem!!!!) e, adultos como são, serem SINCEROS!!! Detesto sorrisos forçados e cinismo! Não consigo esconder o que me incomoda ou magoa... NÃO!!!! Nunca vou conseguir porque não sou feita dessa matéria hipócrita que molda muita gente! Sou o que sou e cada vez mais sinto que só tenho amor para dar às minhas filhas e a mais 3 ou 4 pessoas que fazem parte da minha vida! A quem me deu vida (e que amo tanto!!!!) - e a quem eu trato cada vez pior porque "não seria justo não a tratar de forma igual", às manas com quem cresci - uma das quais que pouco ou nada me diz (triste, mas verdade!) e a outra, que é talvez a melhor pessoa que conheço, e para quem não tenho o tempo e a calma que deveria ter! E a ti, que me abraças todos os dias... e que vejo fugir-me por entre os dedos a cada desilusão que eu provoco! E estou tão cansada DE TUDO! De tudo o resto! MESMO! TANTO! Desculpa... não consigo ser outra pessoa, não consigo sorrir porque me (NOS!) ajudam... não consigo, DESCULPA! Não consigo esquecer porque tudo tem um princípio... e o desta história fragilizou-me demasiado! E nunca vão perceber o quanto porque nunca quiseram saber! 
Talvez o tempo me amoleça o coração (como acontece às pessoas "normais" quando se tornam mães - e como mãe tenho o coração mais amanteigado do mundo - mesmo que não te apercebas disso!), mas neste presente é pão seco... que nem torrado fica comestível! Perdoa-me! Perdoa-me isto! O que mais me magoa é ver que te magoo! Mas não consigo... E ninguém tem culpa! A culpa é inteiramente minha por não conseguir dar um rumo natural às coisas! E eu sou tão natural com elas e contigo (E FELIZ!), mas a minha naturalidade para com os outros... é FRIA e FEIA... é NATURAL!

Hoje estou assim... os olhos estão pesados de sono e de necessidade de lágrimas soltas que preciso agendar para este dia! Se não for possível, engulo-as! À frente delas, NÃO! Estou triste e a precisar de um abraço forte... estou sozinha num gabinete com uma vista deliciosa... mas vazio! E é assim que hoje me sinto. 

Até um dia... quando a Ana quiser!



quinta-feira, 27 de julho de 2017

Depois dos 38 feitos disse que voltava...

...e voltei! Só porque o prometido devido é... só porque a vida sofreu algumas alterações nos últimos dias (que me parecem já semanas!), só porque tenho algum tempo livre para o fazer (porque não estou em casa... ou haveria pó que só eu consigo ver e outras demais lides domésticas para executar!)
Comecei a trabalhar... no sítio de onde nunca quis sair, para onde quis sempre regressar! E agora estou aqui, entre a felicidade de finalmente ter uma rotina e vida próprias, de não ser sempre a mãe e dona de casa que não sossega nem deixa sossegar... e a culpa por não ter as miúdas mais cedo no meu colo, de ter tempo para brincar com elas no final do dia (e ainda só passaram três dias...) e a casa a encher-se de pó... que só eu consigo ver!
E por ser tão recente ainda esta mudança na minha vida é que ainda não sei lidar muito bem com tudo isto... há mais de um ano em casa, a preparar-me para a chegada delas, a tê-las pertinho de mim, a levá-las ao infantário pequeninas e a tê-las comigo poucas horas depois... a ser mãe! Ainda sinto que é a única coisa que sei fazer - ser mãe e cuidar da casa para que elas estejam seguras e limpinhas e protegidas e longe de bichos maus! (inocente, esta Ana que viveu tanto tempo longe do mundo real!)
Daqui a um mês pensarei de forma completamente diferente e será esta a nossa rotina, como é a de tantos outros pais perto e longe de nós! 
E prometi que voltaria depois dos 38 feitos... antes de elas fazerem um... UM ANO!!!!!
Um ano que passou a uma velocidade estonteante com mais informação, emoções, descobertas, adaptações, aflições, desespero e alegrias do que poderia algum dia imaginar! É tão enriquecedor como desgastante, esta maravilha de ser mãe de duas! É descobrir que é possível amar duas pessoas exactamente da mesma forma (e elas são TÃO diferentes!), é sentir um amor capaz de nos fazer explodir o peito... é preocupar-mo-nos com a que adoece e sentir que estamos a descurar os cuidados com a que dorme ali ao lado! É tomar a mais rabugenta nos braços porque naquele momento só o colo da mãe a acalma e sentir outros olhinhos postos em nós com ar de desilusão porque o seu corpo também precisa do meu calor e os meus braços já não aguentam muito tempo com as duas em simultâneo (nem elas gostam de me partilhar!)! É ir buscá-las e querer chegar a casa para perdermos horas a brincar (e elas gostam tanto que brinquemos juntas!) e pensar no que há para fazer... e que tem de ser feito! É sentir que não dou atenção suficiente a cada uma, que não as mimo na quantidade suficiente, que não me dedico como elas precisam... como seres individuais que são! E são tão diferentes, as minhas filhas... e olho-as com admiração por isso! Por tê-las tido dentro de mim durante quase 8 meses, juntinhas, respirando o mesmo ar apertado... e serem assim! Cada uma com a sua personalidade já vincada, cada uma com as suas manhas e birras, cada uma com a sua forma peculiar de nos fazer um carinho e nos provocar sorrisos largos sem nos darmos conta (e, também, nos fazerem perder as estribeiras e a paciência... cada uma ao seu jeitinho único!)
A três dias de as ter a completar o primeiro ano olho para trás e já não me recordo de as ter minúsculas nos meus braços (a Clara cabia-nos na mão!)... há momentos que se desvanecem para dar lugar a outros mais recentes... precisava de muito mais espaço na memória para me recordar de tudo... e um bypass no coração para armazenar tantas emoções! É uma aventura diária, é a certeza de que somos capazes de gerar vida e dar-lhe continuidade, de que somos aptos a amar para além de nós mesmos e passarmos para segundo e terceiro planos porque elas são o centro da nossa vida! É continuarmos a olhar um para o outro (depois de inúmeras discussões que temos quando o cansaço se apodera e as opiniões divergem - a mãe é que sabe SEMPRE tudo!) e sentir o amor que permanece e se multiplicou neste último ano! É sentir-nos felizes namorados como antes (com muito menos intensidade... senão o tal bypass teria de me habitar na caixa torácica!).
É tentar esquecer que as tiraram demasiado cedo de dentro de mim e lembrar-me que estão seguras nos meus braços agora. É tentar apagar o desespero sentido naqueles 10 dias numa casa que foi nossa durante esse tempo, das lágrimas, da fragilidade, do silêncio, de não poder pegar-lhe ao colo mais que uma vez (em 10 dias!!!) e sentir-me deambular por aqueles corredores, da felicidade de ter a irmã juntinho a mim... e não poder ter as duas a aquecer-me o colo todas as noites...
Mas são essas as memórias que também guardo, porque fazem parte da história delas!
Agora tudo isso me parece longínquo... só que há aquelas alturas! Agora tudo está bem e ainda ontem lhes cantei ao ouvido, ao mesmo tempo, e me passeei com as duas ao colo pela casa, porque ambas precisavam dele... e ele, o meu colo, estará sempre pronto para lhes acalmar as dores ou lhes curar as birras! Que não me fraquejem as pernas nem os braços me doam... e que o meu coração se mantenha enorme para lhes acolher todos os bens e os menos bons!
(tenho de reaprender a escrever... como antes, quando chegar ao final da página em espiral era supersónico... e tão natural!)

Voltarei... depois da primeira vela apagada!
até já... até sempre!

sábado, 8 de abril de 2017

Passo a passo, juntas!*

Os meus pés, os nossos pés... juntas caminharemos! E a minha mão (e o meu colo!) estará sempre estendida para vos agarrar com força, minhas filhas! ❤
Do alto dos meus 38 anos... sou tão feliz! Grata pelo colo cheio e pelos sorrisos com me presenteiam em cada despertar! Pelo brilho dos vossos olhos, por todas as descobertas diárias! Pelo amor que cresce como vos sinto crescer todos os dias! E a vida é tão fugaz... que ela nos permita aproveitar o tempo! Que me permita ver-vos florescer com os anos!
Eternamente vos amarei,
A mãe*

quinta-feira, 2 de março de 2017

A um mês...

Ana. 37 anos. A um mês de fazer 38. Mãe há 7 meses. Em casa há quase 12...
O tempo passa por mim como uma bala! Atravessa todo o meu espaço com uma velocidade feroz que me assusta! Já mal me recordo dos momentos em que as minhas filhas (tão bom! As MINHAS filhas!) mal me cabiam na palma da mão... e hoje já me enchem o colo com o corpo que cresce de dia para dia! Já mal me recordo da rotina de acordar religiosamente à hora do toque sonante do despertador para me sentar atrás do volante... e ir trabalhar! Já mal me recordo da última conversa que tive sem envolver futilidades ou conversas sobre as crianças que vão aparecendo na minha vida... sobre as minhas, sobre as dos que me rodeiam! Assaltam-me a memória vagos momentos em que a minha vida era normal! Tenho TUDO o que sempre quis: um abraço quente todos os dias e o colo repleto de calor de dois seres pequeninos que em breve deixarão de o ser! 
Mas... faz-me falta sair de casa com um objectivo! Fazem-me falta as pessoas, as conversas, a azáfama, o cansaço das rotinas laborais e das chatices que delas fazem parte! Faz-me falta pensar! E esforçar-me diariamente por ser melhor! 
Desde que as deixei no infantário (há quase 2 meses!!!!!) que a vida se tornou demasiado leviana... o meu dia começa às 4 da tarde quando pego no carro para cegar com a luz do sol que teima em morrer cedo de mais e as volto a ter no colo para as mimar e tratar delas como nos 5 meses que precederam toda esta reviravolta.
Os meus dias são feitos de vazio... de coisas que teimo em inventar para que o tempo passe mais rápido! Rogo aos quatro ventos que preciso fazer qualquer coisa para me "entreter", para voltar a sentir-me viva, para ser mais do que mãe e mulher! E a preguiça cola-me ao sofá, às tarefas domésticas, à futilidade da vida... e não faço! E não procuro! E não luto! E não saio! E NÃO VIVO!!!!!!!
Não sei como cheguei a este ponto... ao ponto de não querer saber de mim! Não sei em que momento da minha vida me perdi... perdi as palavras com que preenchia folhas em branco com devaneios do meu ser! Perdi o prazer imenso que sentia nas horas em que mergulhava num livro sem vontade de mais nada! Esqueci as letras das músicas com que cresci... e aprendi tanto! Dediquei-me às pessoas que fizeram parte da minha vida nos últimos 10 anos... e transformei-me em mais uma como elas! E como dizia tantas vezes, antes não era apaixonada por mim... mas gostava de mim e era feliz! Agora... agora sou feliz mas só gosto dos outros! De poucos! E perdi-me... e preciso tanto encontrar-me! E preciso urgentemente de deixar os queixumes e a auto-comiseração e de ir à luta! À luta da vida! À beira da estrada onde a Ana ficou... e trazê-la para este presente! As minhas filhas iriam gostar de conhecê-la! :)

"Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim."


As pessoas não mudam! Nunca! As pessoas moldam-se às pessoas e à vida que escolheram... por isso acredito que a Ana continua aqui, guardada no meu âmago... só precisa de um empurrãozinho para voltar a rasgar-me os lábios de sorrisos e a alma de sede de mais!!!
Nunca senti tanto prazer em nada como em ser mãe! E sou boa! E continuarei sempre a ser a mãe galinha que muitos criticam e poucos entendem! E faz tanto sentido o que sempre ouvi dizer: é tudo tão instintivo! É tudo tão natural! Elas, à sua maneira, dizem-me tudo o que preciso saber para as fazer sentir melhor! Um olhar, um sorriso, um colinho e um abraço apertado! Sempre tive esta certeza (há tantos anos!!!!!). Sempre soube que me sentiria completa com um ser meu! E tenho dois! Tenho dois seres pequeninos que cresceram dentro de mim e que crescem todos os dias nos meus braços, na minha vida! Que me passam as mãozinhas no rosto envelhecido e me fixam nos olhos... e me fazem sentir que sou a pessoa mais importante do mundo! Que me fazem acreditar que tudo vai correr bem... para a mãe ficar bem e poder tomar conta delas! E, nos dias menos bons, essa certeza dissipa-se em dúvidas e o medo de fracassar assola-me! E quero tanto dar-lhes tudo! E quero tanto que nunca lhes falte nada! Que ninguém lhes faça mal! Que nunca sofram (mesmo sabendo que isso as fará crescer!), que nunca lhes quebrem o coração... e que a vida lhes seja bondosa (como quase sempre foi para mim!). Isto. Só isto.
Serei sempre feliz quando elas sorrirem e o brilho daqueles olhos imensos continuar a iluminar o mundo pequenino que nos acolhe! Os olhos das minhas filhas! 

Já não sei escrever... ou expressar-me... ou sentir, quem sabe!
Já não sei nada... e tantas vezes tenho a prepotência de saber tudo!
Um dia volto... e escrevo! Do alto dos meus 38 (trinta e oito... mais dois e serão QUARENTA!!!!!), voltarei... prometo que voltarei! E trago a Ana! Vou buscá-la onde a deixei sem ter consciência que a estava a abandonar! E brincaremos as quatro. De mãos dadas no nosso mundo... com os olhos postos no mundo de todos! Vamos ser (muito mais) felizes! Os CINCO! (que eu nunca me esqueço do abraço forte de todos os dias!

Até lá... até já!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

3 corações... e são meus! :)



Ana. 37 anos. Há dez meses em casa. Mãe há quatro. Duas meninas. 30 de Julho - o dia mais feliz da minha vida...
A felicidade não é sempre o que esperamos e a vida nem sempre nos proporciona o que queremos. 30 de Julho - o dia mais feliz da minha vida... e o mais assustador! Sempre pensei que 'dar à luz' (como se houvesse interruptor para gerar vidas!) incluísse, passado uns minutos ou umas horas, ter os nossos rebentos deitados sobre o peito para lhes saborear o primeiro sopro de vida (é assim que os filmes nos ensinam e as amigas nos relatam!). Mas a nossa história iniciou-se de forma diferente. Foi tudo tão repentino que quando vos arrancaram de mim, só vos pude ver de relance, 'sem tempo de manteiga nos dentes' e a única coisa que saboreei foram as lágrimas que me escorriam pelo rosto desde o momento em que a médica me informou que teria de deixar de vos sentir dentro de mim... demasiado cedo! Mas hoje, AGORA, olho-vos enternecida, adormecidas ao som frívolo da baby tv (como se vocês entendessem o que a bonecada ecoa!). Qualquer cor ou movimento vos arranca sorrisos, minhas filhas! :)
Nos vos tive ao mesmo tempo junto a mim, não vos mimei desde o primeiro momento como queria ter mimado... mas hoje tenho o colo cheio! Tenho o coração imenso! E a cada dia que a vida nos dá, mais me rio do passado por nunca me ter ensinado que o amor... É ISTO! É sentir-vos respirar (e, na penumbra da noite do nosso quarto, encostar o ouvido ao berço - e tocar-vos levemente - para me certificar que está tudo bem!), é ver-vos crescer e descobrir todos os momentos novos traços que vos marcarão o rosto, novas expressões, novos brilhos (e cores - têm tantas cores, os vossos pequenos grandes olhos!), é pegar-vos nas minúsculas mãos (onde um dia vos caberá o mundo!) e sentir a força de nunca me quererem largar, e de vos sentir os olhos pousados no meu enrugado rosto... e sentir que a maternidade nos transforma e nos faz sentir as mais belas do mundo... aos vossos olhos que nos fixam com admiração! O amor é tão somente isto! E é muito mais que isto! É acalmar-vos os medos e apaziguar-vos a dor com calor do meu peito! É sentir a calma apoderar-se de mim quando as lágrimas se apoderam dos vossos olhos... são tão indefesas! É querer proteger-vos de tudo e todos e pensar que ninguém pode cuidar-vos como eu vos cuido e protejo! É não querer que outro colo saiba melhor que o meu, e que outro peito vos faça sentir em casa! Hoje são minhas (minhas e do pai, do vosso super pai - que bom tê-lo nas nossas vidas!)! Um dia... daqui a 'milhentos' dias, já poderei partilhar-vos com o mundo mas, hoje, quero-vos só para mim!
E sou má... e nunca pensei sê-lo! E não tenho paciência para ninguém, nem calma, nem respeito (que tantos me merecem!), nem ligeireza, nem a simpatia que sempre me caracterizou! Para vocês tenho uma loja de doces no coração! Há sempre um abraço mais forte que vos acalma, um aperto contra o peito que vos conforta... e o que tenho de sobra para vos dar, tenho tido em falta para com os que me são mais queridos.
Há dez meses em casa. Mãe há quatro. 
E hoje (finalmente! Não por não ter tempo... mas porque há sempre tanto para fazer e eu não permito que ninguém o faça por mim!) permiti-me escrever... e voltarei... prometo que a minha ausência será célere desta vez! Mas as meninas acordaram... e querem o colo da mãe!

Até já... até sempre!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

três corações no meu peito

A vida tira... a vida devolve!

Depois de um final de ano demasiado conturbado, com o repentino e a surpresa a fazer parte do meu quotidiano, 2016 iniciou-se da melhor forma: a sensação de ter vida a crescer dentro de mim voltou! E com a sensação veio a esperança, a certeza de que a partir de agora, depois do período negro que tinha deixado lá atrás (apesar de trazermos sempre um pedaço seu para relembrar no futuro!), senti que tudo iria correr bem!

Janeiro veio com a notícia de que iria ser mãe... Março trouxe a surpresa de que iria ser mãe... a dobrar! Gémeos! E o susto e o medo juntaram-se a uma felicidade que até hoje continua a ser inexplicável! Ainda não sinto a barriga mexer... mas sinto que em mim bate muito mais que apenas o meu coração! E vê-los naquela caixinha mágica em cada ida ao médico, faz-me acreditar cada vez mais na sorte que tenho em estar viva, em tudo aquilo que ganhei por não ter tido receio de voltar a amar! E sinto-me expectante de tudo o que os próximos meses me reservam! Da barriga a crescer de dia para dia, do aproximar do que é suposto ser o melhor momento na vida de uma mulher... de os ter (ou de AS ter!) nos meus braços... algo que é MEU e que jamais deixará de o ser! A um dia de completar 37 anos de existência sinto-me, finalmente FELIZ e COMPLETA!

Mas nem só de rosas vivo... ninguém vive! E os espinhos acabam por assolar todos os que se permitem viver! Em Outubro voltei ao trabalho que tinha abandonado um ano e meio antes... à casa que nunca me quis ver partir e que ansiava a cada dia o meu regresso! Sim, sempre foi a minha casa, porque casa é onde está o nosso coração... e sou uma afortunada por possuir tantas casas no mundo!
E o tempo foi passando.... a alegria desta mudança na minha vida foi partilhada com a "minha família" que também ficou feliz... uma felicidade demasiado efémera que acabou por se concretizar em pesos e medidas do que esta mudança iria fazer às suas vidas! E, como tão bem me acolheram (porque sempre se propuseram fazê-lo!), tão bem me quiseram dizer adeus... no momento que mais precisava! De todas as bocas saem as mesmas palavras de conforto: "tudo vai correr bem! tudo se arranja!"... e o medo de fracasso assola-me, e a possibilidade de não poder dar, pelo menos, tudo aquilo que pude usufruir quando estava a crescer, tira-me o chão!

Já passei por tanto... já ultrapassei tantos obstáculos... já me superei! E agora, que duas vidas mais passarão a depender de mim, de mim e da minha metade, mais superarei, muito mais superaremos!

Que as 37 primaveras continuem a florescer o jardim que fui plantando ao longo dos anos! Que venham com elas lufadas de ar fresco! Os dias cinzentos serão ultrapassados! ACREDITO!

Até um dia... com mais um algarismo acrescentado à vida! :)

'"When proud pied April, dressed in all his trim,
Hath put a spirit of youth in every thing" W.S.'


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

NY I LOVE YOU


Se por cada assalto de memória uma folha de outono caísse.... todas as árvores estariam nuas de inverno!
Foram dias que guardo com carinho, com magia, com descoberta de um mundo completamente díspar de tudo o que me é tão familiar.
Ter podido partilhar tudo isto com a minha alma gémea, só torna tudo mais apetitoso e mais dolorosamente saudoso!
As paisagens, as pessoas que corrupiavam pelas ruas sempre com um objetivo de chegada ou meros transeuntes como nós, os cheiros (não troco o cheiro da minha serra por NADA!), os sabores, as experiências, as luzes ofuscantes, a poluição sonora constante, a simpatia, os sorrisos... até dos olhares tristes eu sinto saudade!

Depois de dois meses de demasiado a acontecer, de lágrimas e sorrisos, de esperança e desilusão... esta foi a melhor lufada de ar fresco que podia sentir ao abrir a janela do outro lado do oceano!

De alma cheia regressei... e que as surpresas boas cheguem juntamente com o novo ano que se avizinha! :)

Até um dia... 





Flatiron

Empire State Building View

Broadway - Imperial Theatre
'Les Miserables'

Times Square by night

MOMA

Manhattan view from Brooklyn

Lady Liberty

Broadway happy feet


Klimt in MOMA

MOMA

Central Park
...e o verde a perder de vista!

Jacqueline Kennedy Onassis Reservoir



quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O insustentável peso da perda...

Há um mês atrás tinha esta publicação para o meu cantinho:

Uma notícia: voltei à vida antiga de despertador de madrugada e convívio diário com pessoas que me aceitam e me valorizam... podia e deveria ter saído pelo meu pé (como tantas vezes estive tentada a fazer), mas deram-me corda aos sapatos... Mesmo assim, nunca me arrependerei de me ter aventurado. Correu mal.... e PASSOU!
Um segredo: estou a ficar gorducha.... com bochechas rosadinhas e um coração gigante!

A alma está cheia.... diz que é assim que se sentem as futuras mamãs!!!! :))))
(ESTOU FELIZ!)
Soube há uma semana que a minha vida iria mudar mas acho (e tenho a certeza) de que ainda não consegui assimilar tudo isto! Tenho medo! Mas junto com o medo vem a esperança, a certeza de que é o que mais quero! Sentir-te crescer dentro de mim durante meses intermináveis....para depois te envolver nos meus braços e perder-me nos teus olhos! 
FELIZ FELIZ FELIZ!!! ❤❤❤❤❤



...e acabou! Acabou tudo! Perdi-te muito antes de ter oportunidade de te conhecer, de te embalar nos meus braços... de te amar muito mais do que amava já! Foram uns dias de pura alegria seguidos de outros tantos de uma sensação inexplicável de perda! A esperança não morre... e sei que voltarei a sentir vida a crescer dentro de mim e a sentir-me tão imensamente feliz como me senti há um mês!
*No céu te embalarei como não pude embalar-te****

Entretanto voltei ao meu antigo trabalho, onde me sinto querida e valorizada! 
Sinto no entanto que me arrancaram outro pedaço... embora estivesse num ponto extremo de saturação, sentia que as coisas poderiam melhorar... ou queria ter tido a coragem de, nos momentos em que me sentia agonizar por dentro, levantar a voz e abandonar a cadeira! E não! Não valorizaram tudo o que dei, toda a entrega, toda a dedicação e abdicação de vida pessoal! Como quem usa um lenço de papel... usaram-me e atiraram-me para o lixo sem pensar duas vezes! A mágoa continua bem presente... mas o tempo tudo cura e as horas tudo levam para longe! Aqui vou ser feliz! Talvez não tão realizada, não tem "bem sucedida", mas em PAZ!

Fizemos a viagem da nossa vida (até agora!) e percorremos 5000km de céu para encontrar A Grande Maçã! Um dia, com tempo (e vontade!), conto tudinho***

E o ano está a chegar ao fim... e foi tão cheio de tudo de bom... tudo de mau... 
Com os olhos posto no futuro, sinto que a partir de agora a vida me (nos) sorrirá mais ainda!

Até...